Juventude da América Latina se une para combater a fome
Encontro produzirá uma declaração conjunta, como reflexo do posicionamento da sociedade civil, que será entregue aos representantes dos Estados Membros da FAO, na 39ª Larc39.
Fórum de Juventudes discute políticas alimentares na capital brasileira
Em um momento crucial para a segurança alimentar na América Latina e Caribe, jovens representantes de diversos países se reuniram em Brasília para participar do Fórum de Juventudes, focando no papel da juventude na transformação dos sistemas agroalimentares. O encontro ocorre em um contexto em que o Brasil foi retirado do Mapa da Fome da ONU pela segunda vez em julho de 2025, refletindo avanços, mas também desafios persistentes.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) elogiou iniciativas sociais brasileiras, como o Bolsa Família e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), por fortalecerem a segurança alimentar no país. Essas políticas têm sido fundamentais para garantir acesso à alimentação de qualidade, especialmente em um cenário onde a fome ainda afeta milhões na região.
A secretária Nacional de Juventude, Vitória Genuino, ressaltou a importância de integrar soluções já existentes nos territórios nas políticas públicas, buscando um modelo mais inclusivo que considere as realidades locais. “Precisamos ouvir os jovens e suas propostas, pois eles são parte essencial da solução”, afirmou Genuino durante sua fala no evento.
Os jovens participantes, incluindo Hilda López, representante da Guatemala, levantaram a questão da falta de participação juvenil nas decisões sobre segurança alimentar. Essa lacuna é preocupante, uma vez que os jovens são frequentemente os mais afetados por crises alimentares e têm muito a contribuir nas discussões.
Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, enfatizou que o envolvimento ativo da juventude é imprescindível para o desenvolvimento rural sustentável. Ele destacou que as consultas regionais da FAO visam ouvir uma diversidade de vozes, incluindo agricultores familiares e povos indígenas, que muitas vezes não têm espaço nas discussões tradicionais.
Eduardo Peralta, um jovem indígena do Equador, trouxe uma perspectiva única ao falar sobre a necessidade de cuidar da Mãe Terra, afirmando que isso é fundamental para fortalecer a soberania alimentar. Sua visão destaca a conexão profunda entre cultura, meio ambiente e alimentação, aspectos que precisam ser considerados nas políticas de combate à fome.
Ao final do encontro, uma declaração conjunta será elaborada, com o intuito de apresentar as demandas e sugestões dos jovens na 39ª Conferência Regional da FAO, que ocorrerá de 2 a 6 de março de 2026, também em Brasília. Essa conferência será uma oportunidade para que as vozes da juventude sejam ouvidas em um fórum internacional, promovendo a visibilidade necessária para suas reivindicações.
Enquanto as discussões avançam, persiste a dúvida sobre a eficácia das políticas públicas atuais no combate à fome e à insegurança alimentar. O diálogo aberto e a inclusão de diferentes perspectivas, especialmente as da juventude, são passos fundamentais para enfrentar esse desafio complexo e urgente na região.
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