A pesquisa Sonhos da Favela, realizada pelo Data Favela entre 11 e 16 de dezembro de 2025, entrevistou 4.471 moradores de favelas brasileiras, revelando um panorama das aspirações e desafios enfrentados por essa população. Com ênfase em dignidade, segurança e infraestrutura, o estudo fornece dados cruciais sobre a realidade social das comunidades.
Dos entrevistados, 58% têm entre 30 e 49 anos e 60% são mulheres, refletindo a representatividade de gênero e faixa etária na amostra. A pesquisa também destaca a identidade étnica dos moradores, com 80% se identificando como negros, sendo 49% pardos e 33% pretos. Essa composição é um indicativo das desigualdades raciais que permeiam as favelas.
Em termos econômicos, a maioria dos participantes (cerca de 60%) ganha até um salário mínimo, enquanto apenas 15% recebem acima de R$ 3.040. Esse cenário revela a fragilidade econômica das famílias que residem em favelas, onde 56% dos entrevistados não recebem qualquer tipo de benefício do governo. O Bolsa Família ou Auxílio Brasil é mencionado por apenas 29% dos participantes, indicando a necessidade de um suporte mais abrangente.
As aspirações para 2026 dos moradores se concentram em questões fundamentais: 31% desejam uma casa melhor, 22% anseiam por saúde de qualidade e 12% esperam que seus filhos ingressem na universidade. Esses dados mostram que, apesar das dificuldades, há um desejo latente por melhorias nas condições de vida e educação.
Além disso, a pesquisa aponta que a situação do esporte, lazer e cultura é considerada ruim ou muito ruim por 35% dos entrevistados. Essa percepção impacta diretamente na qualidade de vida e no desenvolvimento social das comunidades. As mulheres, em particular, enfrentam desafios significativos, com 70% dos moradores reconhecendo a violência doméstica e o feminicídio como os principais problemas enfrentados por elas.
A segurança é uma preocupação central, com 47% dos entrevistados apontando o desejo de poder ir e vir com tranquilidade. A confiança nas instituições de segurança é alarmantemente baixa, com 36% afirmando que nenhuma delas pode protegê-los contra a violência. Esses índices evidenciam a urgência de políticas públicas eficazes que garantam a segurança e dignidade dos moradores de favelas.